Editorial: Falta senso de urgência ao DER
A ponte sobre o Rio Mogi Mirim da Rodovia Nagib Chaib foi interditada em 18 de dezembro. E, levando em conta as estimativas do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), só em meados de 2027 para uma nova ser entregue à população. Isso significa que os moradores de Mogi Mirim e Mogi Guaçu continuarão por um bom tempo enfrentando lentidão e transtornos diários.
Para o órgão estadual, “as soluções provisórias têm permitido o tráfego de veículos na região, sem comprometimento significativo da mobilidade”. Não é a realidade de quem precisa se deslocar pelo trecho em horários de pico em uma via que não foi projetada para ser utilizada em mão dupla e nem para receber tamanho fluxo de veículos.
A licitação para uma nova ponte na Nagib Chaib deve ocorrer neste mês. Se a execução levar nove meses, como estimado, a entrega fica para meados de 2027. Isso se os prazos forem cumpridos, evidentemente. Enquanto isso, a população paga o preço de uma crise que não criou, por um problema já conhecido e que não recebeu a devida atenção.
A decisão do DER de não agir com urgência antes do colapso reflete uma cultura de gestão que trata a manutenção de rodovias como um gasto secundário, que pode ser adiado indefinidamente, até que o problema se torne visível e público. A interdição, que deveria ser um fato excepcional e temporário, tornou-se parte da rotina da população.
A afirmação de que a situação atual não compromete significativamente a mobilidade chega a ser uma ofensa à inteligência de quem vive o problema. Revela o descaso de um órgão que, fechado em sua bolha burocrática, não tem comprometimento com a população. Até que a nova ponte seja entregue, a população seguirá pagando o preço e, ao que tudo indica, o DER seguirá ignorando.


