Mogi Mirim e Estado de SP alinham estratégias de combate à dengue

A Prefeitura de Mogi Mirim, por meio da Secretaria de Saúde, promoveu na manhã de terça-feira (24) uma reunião da Sala de Situação de Arboviroses, com o objetivo discutir ações de combate à dengue no município.
O encontro, realizado no Salão Vermelho da Estação Educação, contou com a participação de representantes do DRS 14 (Departamento Regional de Saúde) e do GVE (Grupo de Vigilância Epidemiológica), ambos os órgãos de São João da Boa Vista e que respondem à Secretaria de Estado da Saúde. Mogi Mirim conta com 6.814 casos positivos e um óbito confirmado.
A reunião faz parte de uma série de ações estratégicas do Estado com os municípios no combate à dengue. Estiveram presentes representantes das diversas secretarias municipais que compõem a sala de situação. O secretário municipal de Saúde, Mauro Nunes, fez a abertura, destacando a importância de ações conjuntas no enfrentamento da doença. Em seguida, a coordenadora da VS (Vigilância em Saúde), Vivian Delalibera Custódio, fez uma apresentação das ações que estão sendo desenvolvidas na cidade, como nebulizações, mutirões de limpeza, intensificação das visitas casa a casa e ampliação da estrutura de atendimento no Pronto-Socorro Central, dentre outras.
Vivian lembrou que a epidemia deste ano começou a ser combatida ainda em 2024, quando os números começaram a crescer no final do ano passado. Uma das ações nesse sentido foi a disponibilização de teste rápido nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), ou seja, é possível buscar atendimento e fazer a sorologia nos postos de saúde, desafogando a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e o PSC.
A coordenadora da VS apontou ainda para algumas das causas para o aumento nos casos em 2025, como a circulação do tipo 3 do mosquito Aedes aegypti no Município, algo que não ocorria há 15 anos, tornando a população predisposta a contrair a doença, e o calor excessivo, que interfere no ciclo de vida do ovo, que eclode mais rápido. Vivian também mencionou sobre o processo de vacinação, ainda restrito à faixa dos 10 aos 14 anos, que teve bom êxito devido ao trabalho de divulgação e conscientização das agentes de saúde nas escolas.
Os representantes do Estado fizeram diversas ponderações, destacando, dentre elas, a necessidade de aplicação do larvicida nas nebulizações. Hoje, o uso do inseticida mata apenas o mosquito adulto e o larvicida ajuda no controle da larva. Já os equipamentos usados nesse serviço devem ter a certificação da OMS (Organização Mundial da Saúde).
Também foi apontada a necessidade de uma qualificação sistemática dos agentes, bem como um trabalho permanente de educação ambiental e de saúde junto à população. A disponibilização de grandes lixeiras pela cidade é indicada como facilitador pedagógico para as pessoas evitarem de jogar lixo nas ruas.
Os técnicos ainda reforçaram a importância de manter, rotineiramente, as atividades de eliminação dos criadouros, e que no trabalho diário, os agentes de saúde devem procurar meios de identificar eventuais contaminados pela doença, que não tenham passado pelo serviço de saúde, e facilitar o acesso aos tratamentos adequados. Também foi citado a importância do papel dos assistentes sociais em suas visitas domiciliares no contexto da dengue.
“Temos 19 mil casos de dengue na região da DRS. E 80% desses casos estão na região mogiana. A situação é crítica e acelerada. Não acredito que a gente já tenha atingido o platô, o que deve acontecer em meados de abril e início de maio, quando entraremos em queda. Por isso, ações devem continuar”, apontou Thiago Santos, diretor do GVE.
Além de tornar mais frequente os encontros da sala de situação e fortalecer as ações já realizadas, Vivian informou que programa um novo mutirão de limpeza neste mês de março e que a Secretaria de Saúde já fez uma solicitação ao Ministério da Saúde a liberação de recursos para ampliar a estrutura de atendimento aos casos de dengue na UPA da Zona Leste.