Inverno começa com previsão de temperaturas acima da média
Começou oficialmente no domingo (21) o inverno no Hemisfério Sul. A nova estação chega precedida de um outono caracterizado em seus últimos 30 dias por manhãs geladas, temperaturas amenas e com bastante umidade, pouco comum para esta época do ano.
O IMPACTO consultou a assessoria técnica do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), localizado em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba. Quem atendeu a reportagem foi o meteorologista Diogo Arsego, com a parceria da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme).
Segundo o pesquisador, na Região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo, a previsão indica maior probabilidade de “temperaturas acima da média, incluindo a região de Mogi Mirim”. Ele ressaltou, no entanto, que a previsão não representa a ausência de baixas temperaturas, observando que esse é o período onde um número maior de frentes frias se desloca a partir da Região Sul do país, com potencial para derrubar temperaturas.
“Não significa que não haverá frio. Durante o inverno, é comum a passagem de massas de ar frio pela região, que podem provocar quedas significativas de temperatura em determinados períodos. Portanto, mesmo com temperaturas médias acima do normal, ainda poderão ocorrer dias típicos de inverno, com frio intenso em algumas ocasiões”, colocou.
A reportagem quis saber se a previsão de um “super El Niño” para esse restante de ano irá influenciar de alguma forma a estação. Segundo Arsego, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) já emitiu nota confirmando um novo início do El Niño e que a tendência é que seus efeitos sejam sentidos no estado de São Paulo a partir de setembro, até início de 2027. “Durante a maior parte do inverno, a expectativa é que o fenômeno permaneça entre as categorias fraca e moderada. A tendência é que ele ganhe intensidade a partir da primavera e continue atuando pelo menos até o início de 2027”, comentou.
O IMPACTO perguntou ainda a respeito da incidência de chuvas neste outono guarda alguma relação com o El Niño e qual será a tendência para o inverno. O pesquisador refutou qualquer ligação entre as chuvas pouco comuns para esse período e o fenômeno, além de antecipar que as condições para chuvas no restante do mês de junho ainda permanecem.
“O El Niño tem pouca influência sobre o regime de chuvas no estado de São Paulo. Por isso, as precipitações registradas recentemente, embora sejam incomuns para esta época do ano, não estão relacionadas ao fenômeno. A previsão do Inpe para as próximas semanas indica que, pelo menos até o fim de junho, os volumes de chuva deverão ficar acima da média em boa parte do estado. Mesmo assim, é importante lembrar que o inverno é, climatologicamente, a época mais seca do ano. De forma geral, não são esperados eventos frequentes de chuva intensa nem grandes volumes acumulados ao longo da estação”, explicou.
Ao finalizar a conversa, Diogo Arsego afirmou que as pessoas devem se preparar para períodos de baixa umidade e para um maior risco de queimadas, fatores, os quais, segundo ele, representam riscos para a população.
“Além das temperaturas mais baixas e da redução das chuvas, duas características marcantes do inverno são a baixa umidade do ar e o aumento do número de queimadas. A sequência de vários dias sem chuva favorece a redução da umidade relativa do ar, o que pode causar desconforto e agravar problemas respiratórios, especialmente em crianças e idosos. Essas condições também aumentam o risco de queimadas, que prejudicam a qualidade do ar e podem provocar transtornos em rodovias”, finalizou.


