Editorial │ O preço dos erros

A Câmara Municipal de Mogi Mirim aprovou recentemente o Projeto de Lei 93/2026, de autoria do prefeito Paulo Silva, que autoriza o município a renegociar as condições da dívida previdenciária mantida com a União.

Trata-se de um problema que remonta à gestão de Gustavo Stupp (2013-2016), quando o município alegava ter créditos a receber do INSS e realizou compensações previdenciárias consideradas indevidas. O resultado foi uma dívida que chegou a R$ 28 milhões e que, desde então, vem sendo paga pelo contribuinte mogimiriano.

Quase dez anos depois, mesmo com mais de R$ 17 milhões já desembolsados, o débito continua próximo dos R$ 30 milhões, devido aos juros. Por sinal, é espantoso que uma questão dessa dimensão não tenha sido tratada como prioridade pela atual Administração desde antes. É sabido que outros municípios, como Campinas, tomaram providências já há meses diante de dívidas previdenciárias semelhantes.

Mais do que os números, porém, o episódio mostra como decisões equivocadas de um governo podem continuar produzindo consequências muito depois de seu fim. Stupp deixou a Prefeitura em 2016. Dez anos depois, Mogi Mirim ainda paga a conta de decisões tomadas naquela gestão.

É por isso que a escolha dos governantes exige atenção e responsabilidade. Em 4 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher deputados, senadores, governadores e o presidente da República. O voto não produz apenas efeitos imediatos: muitas das decisões tomadas hoje permanecerão cobrando seu preço ou produzindo seus benefícios durante anos.

Por isso, escolher quem administrará o dinheiro público e tomará decisões em nome da sociedade não pode ser um exercício de simpatia, paixão política ou promessa fácil. O Brasil do futuro começa, essencialmente, nas escolhas que fazemos hoje.

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