UBS, creches e escola da zona norte de Mogi Mirim sofrem série de furtos e invasões
FLÁVIO MAGALHÃES
JORNAL O IMPACTO
Os prédios públicos da zona norte de Mogi Mirim estão sofrendo invasões e furtos em série desde novembro do ano passado. O caso mais recente foi registrado nesta terça-feira (7), quando o Cempi (Centro Educacional Municipal de Primeira Infância) Pedagoga Géssia Cristina Cruz Mazon, no Jardim Paulista foi invadido pela segunda vez em um intervalo de uma semana. Foi o sétimo caso semelhante registrado.
Segundo informações que chegaram ao conhecimento da redação, foram furtadas três torneiras da creche na primeira invasão, todas já repostas. Nesta terça, mais dez peças foram levadas. Elas foram substituídas por torneiras de plástico.
Há alguns meses, durante as férias escolares, o Cempi Professora Maria Rotoli Mansur, no bairro Santa Clara, também foi invadido. No mesmo período, a Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Edna Fávero Choqueta – Unidade 1, no Jardim Paulista, sofreu da mesma ação criminosa. Equipamentos e produtos foram levados, nessa ocasião.
Em março, já com as aulas em curso, mais uma vez a escola foi alvo de ladrões, que levaram parte da fiação elétrica da unidade de ensino. Ambientes como banheiros, cozinha, biblioteca e até algumas salas de aula ficaram sem luz.
Nos primeiros dias do ano, criminosos invadiram a UBS (Unidade de Básica de Saúde) Santa Clara, a maior da zona norte de Mogi Mirim, de onde levaram, segundo a Prefeitura, ao menos seis aparelhos de ar-condicionado e um compressor usado para fornecer ar ao gabinete odontológico daquele postinho.
Os marginais, que arrombaram uma porta lateral, ainda levaram um botijão de gás e alguns utensílios de cozinha, além de boa parte da fiação elétrica do prédio. Na época, os atendimentos dos pacientes desse postinho foram redirecionados para as UBSs do Jardim Paulista e Parque do Estado 2.
Dois meses antes, em novembro, o mesmo postinho sofreu uma tentativa de furto. Na ocasião, os bandidos invadiram o local e tentaram furtar um computador, No entanto, a ação foi frustrada pela chegada de funcionários da UBS.

Alarme inoperante
A reportagem de O IMPACTO apurou que, em dezembro passado, o vereador Ademir Junior (Republicanos) questionou a Prefeitura sobre o sistema de alarme e monitoramento da creche do Jardim Paulista, que, segundo o parlamentar, estava inoperante naquela data. A Secretaria Municipal de Educação respondeu, no final de janeiro, não ter conhecimento de que o sistema estivesse inoperante, sugerindo que, no momento da visita do vereador, em 2 de dezembro, o sistema poderia estar desativado devido à movimentação de crianças e funcionários – prática comum para evitar disparos constantes durante o dia. A secretaria informou que a equipe de manutenção avaliaria o funcionamento do sistema para garantir a operação correta, especialmente nos horários em que a escola não está em funcionamento. Recentemente, a creche foi furtada duas vezes em uma semana.
Já sobre o Cempi do Santa Clara, a Educação informou ao vereador que foi solicitado ao setor de Tecnologia da Informação levantamento técnico para instalação de sistema de monitoramento por câmeras e alarme na unidade. A direção da escola foi orientada a formalizar pedido de vigia noturno aos finais de semana. Também foi sugerida à direção a instalação de cerca tipo concertina no muro do entorno, com recursos do Programa de Autonomia Financeira da Escola (Pafe), tendo sido fornecido contato de empresa que já executou serviço semelhante em outra unidade. As carnes que estavam no freezer e se deterioraram por interrupção do fornecimento de energia elétrica foram integralmente repostos pelo setor de Alimentação Escolar antes do início das aulas. A unidade ainda passou por troca do padrão de energia elétrica.

Ademir também questionou sobre o sistema de segurança da UBS Santa Clara. A Secretaria Municipal de Saúde respondeu, em 9 de fevereiro, que as providências necessárias já haviam sido adotadas, com ações imediatas para resguardar o patrimônio e garantir a continuidade dos serviços, contando com apoio de outras pastas. Em resposta posterior, em 11 de março, a Diretoria de Gestão Administrativa da Saúde informou que o postinho possui sistema de alarme e monitoramento instalado. Conforme registros administrativos, a última checagem técnica ocorreu no ano anterior, quando o sistema foi informado como em pleno funcionamento. Considerando a invasão e o furto ocorridos recentemente, a Saúde informou que estão em apuração as circunstâncias relacionadas ao funcionamento do alarme na data do fato, bem como se houve efetivo acionamento e quais as razões pelas quais o sistema não impediu a ação criminosa.
CCI também foi furtado
Além das sete ocorrências de invasão e furto em prédios públicos da zona norte, o Centro de Convivência Infantil (CCI), tradicional entidade privada conveniada com a Prefeitura, sofreu no início do ano com uma sequência de furtos dentro de suas instalações que provocou prejuízos calculados em R$ 50 mil.
A conta inclui equipamentos levados pelos ladrões, aquisição de material de instalação elétrica, placas de aquecimento de energia solar e mão de obra. Como resultado dos estragos causados, a diretoria achou por bem suspender as aulas em 9 de fevereiro, até que parte da infraestrutura estivesse devidamente resolvida, oferecendo condições ideais de segurança. O CCI acolhe 188 crianças de escolas municipais no contraturno.
Pauloroberto Silva, presidente emérito da entidade, disse para O IMPACTO, na época, que os problemas começaram entre os dias 25 e 26 de janeiro, quando foram atacadas as instalações localizadas na parte de trás do imóvel, onde funciona o setor de aquecimento de água. Em termos materiais, essa foi a invasão que causou maiores danos. O CCI voltou a ser alvo de ação criminosa entre os dias 30 e 31, quando houve um apagão no Jardim Silvânia e adjacências. Pauloroberto disse que deu conta do furto na manhã seguinte. Cabos de energia foram levados.

Diante do ocorrido, a direção adotou medidas para reforçar o sistema de alarmes. Contudo, a ousadia dos criminosos foi tamanha que, em mais uma invasão, entre os dias 6 e 7, o motor da câmara fria foi furtado. Nem mesmo a existência de uma concertina (feixes de arames farpados) impediu o crime.
Monitoramento será contratado
Em relação às ocorrências registradas na zona norte da cidade, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Civil informou à reportagem de O IMPACTO que tem feito operações frequentes em ferros-velhos, principalmente naquela região. O resultado, segundo a pasta, tem sido positivo, com a apreensão de quase 200 quilos de fios de cobre e outros produtos de comércio irregular.
“Além de um duro golpe na criminalidade, essas ações da Guarda Civil Municipal, em conjunto com os setores de fiscalização da Prefeitura, Polícia Militar e Polícia Civil, além da Vigilância Sanitária e Defesa Civil, desarticulam os atravessadores, geram prisões e inibem esse tipo de comércio ilegal na cidade, que prejudica comerciantes e moradores”, ressaltou a secretaria, em nota. As ações continuam sendo feitas rotineiramente como forma de prevenção, principalmente para orientar a população a não comprar objetos de procedência duvidosa.
Sobre as ações criminosas em prédios públicos, a Secretaria de Segurança reforçou que tem intensificado a ronda nas proximidades dos locais citados, enquanto a Polícia Civil investiga a autoria dos crimes.
Contudo, está em andamento uma licitação para contratação de empresa especializada para monitoramento de espaços públicos, o que deve “diminuir muito” as ações de invasão, na avaliação da Prefeitura.
Esse processo de licitação está a cargo da Secretaria de Tecnologia, Inovação e Inteligência de Dados. “Por enquanto, até que o processo seja concluído, cada secretaria municipal pode dispor de equipes de vigilância para auxiliar na proteção das unidades, como tem feito a Secretaria de Saúde, sempre com o apoio de todo o efetivo disponível da GCM para essa atividade”, informou a pasta de Segurança Pública.



