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Motoboy sofre agressão e caso motiva protesto em condomínio

JORNAL O IMPACTO

Um caso de agressão sofrido por um motoboy em um condomínio de alto padrão em Mogi Mirim gerou uma mobilização no fim da tarde de sexta-feira (20). Dezenas de motociclistas que trabalham com aplicativos de entrega e de transporte se reuniram em um protesto exigindo respeito à profissão.

As agressões aconteceram na noite de quinta-feira (19), quando o motoboy Carlos Amaral, de 18 anos, foi fazer a entrega de um milkshake no Condomínio Morro do Sol, localizado na Rodovia Nagib Chaib, por volta das 21h. Carlos chegou à portaria, mas não entrou no condomínio, o que deu origem à briga.

O motoboy suspeita que o morador estava embriagado no momento da confusão. “Ele saiu do carro meio cambaleando, falando errado”, relatou Carlos em entrevista à imprensa. “Na hora que eu tirei o capacete já vi que ele estava falando na grosseria”, contou ainda.

Imagens de monitoramento da portaria começaram a circular no final da tarde de sexta (20), pelas redes sociais, e mostram o morador descendo do carro com a mão na cintura e iniciando uma discussão com o motoboy. Na sequência, o morador empunha uma arma e chega a apontá-la para o motociclista. Então, eles se agridem duas vezes, até que o segurança da portaria aparta a briga. O motoboy teve o celular e a bag (mochila térmica usada para transportar os pedidos) danificados. A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas o morador já havia voltado para dentro do condomínio.

Carlos relatou à imprensa que não tem o costume de entrar no Morro do Sol para levar os pedidos, com exceção de clientes idosos e de pessoas com dificuldades de locomoção. Disse ainda que nunca teve problemas com moradores do local, que geralmente buscam os pedidos na portaria. “Não custa o cara sair dois minutos da casa dele com o carro, vir aqui e pegar o pedido. Se não quisesse, era só cancelar”, desabafou.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com o morador, que, segundo apuração, seria um médico perito de 37 anos. Ele excluiu o perfil pessoal nas redes sociais. O Morro do Sol, por sua vez, divulgou nota oficial após a repercussão do caso, manifestando repúdio ao episódio. No comunicado, a administração do condomínio classifica a conduta como “lamentável” e afirma que se trata de um fato isolado, que não reflete os valores da comunidade.

A nota destaca que o Morro do Sol preza pela cordialidade, respeito mútuo e civilidade entre moradores, funcionários e prestadores de serviços. O texto também expressa admiração e gratidão a todos os motoboys e profissionais de entrega, reconhecendo-os como “agentes fundamentais para a dinâmica da sociedade moderna, que enfrentam desafios diários no trânsito e no clima para garantir o conforto de milhares de pessoas”.

O condomínio informou que já está avaliando as medidas administrativas cabíveis de acordo com seu Regimento Interno e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com o que for necessário. A nota encerra com a frase: “Respeito não é opcional. É a base da nossa convivência”.

Carlos relatou a agressão sofrida em um vídeo compartilhado pelas redes sociais, o que motivou a organização de uma mobilização entre a categoria. Por volta das 17h de sexta, dezenas de motociclistas se reuniram em frente ao Morro do Sol, em forma de protesto. Eles exigiam respeito à profissão e pediam o fim da violência. “Não sou só eu que passo isso, todo mundo passa por uma caminhada dessa. Se for parar para ver, todo mundo tem uma história que sofreu”, contou Carlos. “Pegar R$ 7,50 de taxa [paga pelo aplicativo de delivery] para apanhar na cara, tomar chute, o cara quebrar minha bag, quebrar meu celular… não compensa uma coisa dessa”.

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