Estação da Mogiana, marco histórico de Mogi Mirim, completa 150 anos

JORNAL O IMPACTO

A antiga Estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, em Mogi Mirim, celebra nesta quarta-feira (27) 150 anos de inauguração, permanecendo como um dos principais marcos históricos e culturais da cidade.

Construída no contexto da expansão ferroviária do século 19, a estação foi inaugurada em 27 de agosto de 1875, com a presença do imperador Dom Pedro 2º, e se tornou fundamental para o transporte de passageiros, o escoamento de produtos agrícolas e o desenvolvimento econômico da região.

Fundada em 1872, a Companhia Mogiana tinha sede inicial em Campinas e foi responsável pela construção da linha férrea que ligou a cidade a Mogi Mirim. O projeto foi dividido em três seções e envolveu engenheiros e auxiliares na abertura de ramais até Jaguary, Amparo e outras localidades. As primeiras locomotivas e vagões foram adquiridos na Inglaterra e nos Estados Unidos.

A chegada da ferrovia à cidade foi resultado de um esforço conjunto entre acionistas, autoridades locais e o governo provincial, que concedeu privilégios à companhia para viabilizar a obra.

Estação da Mogiana em registro de 1920

Um registro feito por Dom Pedro 2º em seu diário – compilado em material ilustrativo pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e pelo Cedoch (Centro de Documentação Histórica) de Mogi Mirim – revela detalhes da inauguração. Após percorrer trechos da nova estrada de ferro, o imperador desembarcou em Mogi Mirim às 16h. Ele deu a bênção à estação, participou de um lanche rápido e visitou o lazareto, local de isolamento para doentes de varíola, elogiando suas condições e capacidade para 60 pacientes.

Também inspecionou o cemitério, escolas, igrejas e a cadeia municipal, que estava sem carcereiro devido ao temor da epidemia. A cidade vivia um período de precaução sanitária, com escolas e templos fechados. À noite, participou de um Te Deum (cântico cristão em ação de graças) e observou a movimentação na praça central, elogiando a qualidade da água e a presença de um coreto e um pavilhão iluminado para apresentações musicais.

Dom Pedro 2º, em pintura de 1875, por Delfim da Câmara

Além de ponto de chegada e partida de passageiros, a estação foi cenário de acontecimentos marcantes. Foi dali que partiram moradores em direção a Penha do Rio do Peixe para buscar o corpo de Joaquim Firmino de Araújo Cunha, mártir da abolição. Recebeu os primeiros imigrantes italianos destinados ao trabalho nas lavouras e também serviu como ponto estratégico durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando tanques e suprimentos passaram por seus trilhos.

Com a desativação em 1979 e a retirada dos trilhos, o prédio passou a ter diferentes usos. Serviu como terminal rodoviário, sede da Guarda Municipal e do Departamento de Educação. Em 18 de maio de 2007, foi inaugurado no local o Centro de Aperfeiçoamento do Magistério Antônio de Souza Franco, batizado como Estação Educação. Atualmente, abriga o gabinete do prefeito e é espaço para feiras noturnas, eventos de aniversário da cidade, comemorações do Dia do Trabalhador, mobilizações coletivas e atividades culturais, compondo o chamado Espaço Cidadão.

A presença da Companhia Mogiana foi decisiva para o crescimento de Mogi Mirim. Ao oferecer um meio rápido e econômico para o escoamento da produção agrícola, especialmente o café, a ferrovia impulsionou a economia, atraiu novos moradores e promoveu transformações no espaço urbano. Mais de um século após a viagem inaugural de Dom Pedro 2º, a antiga estação continua a reunir passado e presente, simbolizando o papel da cidade na história ferroviária paulista.

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