Crise do IPTU expõe desgaste entre Governo Municipal e Gasparini
A repercussão da crise envolvendo o IPTU na Câmara Municipal expôs também o desgaste na relação entre o Governo e o vereador João Victor Gasparini (União Brasil). O parlamentar tem cobrado a responsabilização da Secretaria de Finanças, sob a alegação de que houve descumprimento do texto aprovado pelo Legislativo e manutenção de erros previamente apontados. À época, segundo Gasparini, houve compromisso de correção por parte do secretário de Finanças, Mauro Zeuri.
Na Câmara, vereadores protocolaram requerimento solicitando a revisão geral dos valores venais dos imóveis, apontados como a principal origem das inconsistências identificadas nos carnês do imposto. Paralelamente à atuação coletiva junto aos demais parlamentares, Gasparini tem orientado contribuintes que relatam divergências na cobrança do tributo.
Para sustentar o posicionamento de que as falhas na aplicação da última etapa de entrega dos carnês, com valores venais considerados desproporcionais, já haviam sido apontadas por ele em outubro do ano passado, em desacordo com o texto do Projeto de Lei da Planta Genérica de Valores (PGV), o vereador ampliou sua atuação nas redes sociais e intensificou o corpo a corpo nos bairros, promovendo diálogos diretos com moradores.
Ao mesmo tempo, defende aspectos que considera positivos na revisão da PGV, como a redução do imposto para cerca de 20 mil imóveis. Também por isso, Gasparini tornou-se um dos principais alvos de críticas por parte de opositores à medida, assumindo um protagonismo no debate à frente até mesmo de representantes do Executivo. Na interpretação de alguns interlocutores, essa concentração de ataques é resultado de uma fragilidade recorrente na estratégia de comunicação da Administração Municipal.
O episódio aprofundou o desgaste na relação entre o governo municipal e o parlamentar. Em fevereiro, durante audiência de prestação de contas da Secretaria de Finanças, Gasparini já havia questionado possíveis impactos das falhas na entrega dos carnês sobre o equilíbrio das contas públicas. No início de março, apresentou novo requerimento solicitando informações oficiais sobre a distribuição dos carnês e a aplicação das novas alíquotas.
Embora o ápice da crise tenha ocorrido recentemente, o distanciamento entre ambos remonta ao fim do ano passado, quando o vereador votou contra o projeto de reestruturação administrativa da Prefeitura, apontando aumento de despesas com cargos comissionados. Desde então, a relação tem sido marcada por críticas nos bastidores, envolvendo a lentidão na execução de obras com recursos já aprovados pela Câmara, questionamentos sobre a gestão da limpeza pública e o atraso na aquisição de novas máquinas para o serviço de hemodiálise, cujos recursos foram viabilizados após liberação de crédito pelo Desenvolve SP.
Foto: Silveira Jr./O IMPACTO



