Com crise militar no Oriente Médio, alta do petróleo é sentida em Mogi Mirim
JORNAL O IMPACTO
A exemplo das demais cidades brasileiras, Mogi Mirim sentiu o peso da escalada militar no Oriente Médio, que tem jogado o preço do petróleo e do gás natural a níveis elevados. Houve um aumento generalizado no preço dos combustíveis, principalmente no óleo diesel.
O óleo diesel na cidade podia ser encontrado a R$ 5,99 na primeira semana de março, de acordo com o Levantamento de Preços de Combustíveis feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Nos últimos dias, porém, O IMPACTO encontrou o menor preço na casa de R$ 7,29. Um aumento de 21,7%. Em alguns postos, o valor do litro já chegou a R$ 7,99.
Já a gasolina comum mais barata está sendo comercializada recentemente a R$ 6,29. Há duas semanas, a ANP verificou o valor de R$ 5,85 na cidade. Alta de 7,5%. Alguns postos estão praticando preço de até 6,99 por litro, sendo que o valor máximo encontrado no ínicio do mês era de R$ 6,19. Um aumento de quase 13%, nesse caso.
“Assusta um pouco”, comentou o motorista de caminhão Luís Ricardo de Lima, que, na noite de terça-feira (17), abastecia seu veículo com óleo diesel no posto RVM. Ele trabalha para uma transportadora e carregava uma carga de medicamentos para Minas Gerais. Lima disse que o preço encontrado em Mogi Mirim estava mais baixo do que em relação a outras cidades pelas quais passou.
O motorista de aplicativo Luís Antônio Rodrigues, que também atua como motorista particular, disse que o aumento já provoca impacto no negócio. Segundo ele, ainda não houve repasse do aumento nas tarifas cobradas. “A operadora não autorizou”, garantiu. Rodrigues disse que outros colegas também têm manifestado receio em relação à possibilidade de novos aumentos devido à escalada da guerra. “É preciso fazer a conta direitinho, porque, de repente, não compensa tirar o carro da garagem”, conjecturou.
Inflação preocupa
A maior preocupação das autoridades econômicas e monetárias é que o prolongamento do conflito provoque um repique inflacionário, com o espalhamento no aumento de preços, sobretudo, dos alimentos, devido ao efeito causado pela alta do óleo diesel.
Na opinião do empresário Adriano Lima, proprietário da rede Ponto Novo de Supermercados, esse é um cenário que não deve ser desprezado. “Esse aumento do diesel pressiona, sim, a cadeia de abastecimento, porque no Brasil o alimento roda majoritariamente por transporte rodoviário. No curtíssimo prazo, o repasse não é automático, mas, se esse cenário internacional continuar, a tendência é de aumento na pressão sobre o preço do frete”, aquilatou.
Adriano Lima avalia que, diante deste quadro, os fornecedores terão aumento de custo e tentarão rever acordos já firmados. Explica que no modelo de negócio dos supermercados, é comum as empresas assumirem o custo do transporte de determinados produtos. “Os supermercados tradicionalmente atuam em momentos de dificuldade para segurar os aumentos, mas a margem para absorver custos tem limite”, pondera.
Momento exige cautela
Para o consultor em investimentos José Roberto Bernardi, o Beto Bernardi, a situação exige cautela das autoridades econômicas, sobretudo para calibrar a taxa de juros. Na semana passada, o Banco Central (BC) reduziu, após quase um ano, a taxa Selic em 0,25%. Para o especialista, uma nova escalada inflacionária vai obrigar o BC a corrigir novamente a rota da Selic. “Trata-se de uma situação delicada, porque os efeitos agora vêm de fora. Difícil lidar com isso”, avaliou.



