O futebol argentino se prepara para uma noite que gostaria de adiar. Nesta terça-feira (6), Lionel Messi tem sua despedida da seleção marcada para o amistoso contra o Benim, no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. Aos 39 anos, o camisa 10 encerra uma trajetória de mais de duas décadas, com a consagração que perseguiu desde menino: ser campeão mundial pela Argentina.
A história começou em 17 de agosto de 2005, contra a Hungria, em Budapeste. Aos 18 anos, Messi entrou durante o amistoso e foi expulso quase imediatamente. Um início frustrante para quem acabaria se tornando o maior protagonista da seleção. Antes da partida de despedida, seus números somam 207 jogos, 125 gols e 68 assistências, recordes com a camisa alviceleste. Se entrar em campo, chegará à 208ª apresentação.
O caminho até a glória teve sofrimento. Vieram os vice-campeonatos da Copa América de 2007, 2015 e 2016, além da derrota na final do Mundial de 2014. Depois da decisão continental de 2016, Messi chegou a anunciar sua saída da seleção, mas voltou. A persistência encontrou recompensa: conquistou as Copas América de 2021 e 2024, a Finalíssima de 2022 e a Copa do Mundo de 2022. Somados ao Mundial Sub-20 de 2005 e ao ouro olímpico de Pequim, em 2008, são seis títulos representando seu país, entre a equipe principal e as seleções de base e olímpica.
No Catar, a vitória sobre a França deu ao argentino o troféu que faltava. Messi também se tornou o único jogador a receber duas vezes a Bola de Ouro de melhor atleta de uma Copa do Mundo, em 2014 e 2022. Sua trajetória atravessou seis edições do torneio, de 2006 a 2026, quando voltou à final, desta vez vencida pela Espanha.

Nessa caminhada, Diego Maradona foi referência e presença concreta: comandou Messi na Copa de 2010. Vestir a mesma camisa 10 do herói de 1986 significava carregar também uma comparação permanente. A conquista de 2022 permitiu a Lionel ocupar seu próprio lugar na memória argentina. Maradona representa uma parte essencial desse contexto, embora Pablo Aimar também tenha sido um dos grandes ídolos de Messi na juventude.
Uma carreira assim também se constrói com parceiros. Ángel Di María dividiu com Messi o ouro olímpico e a conquista mundial, além de protagonizar momentos decisivos dessa geração. Sergio Agüero, amigo próximo, e Javier Mascherano, referência de liderança, acompanharam anos de luta pela seleção. Na equipe campeã de 2022, nomes como Rodrigo De Paul, Emiliano Martínez e Julián Álvarez ajudaram a transformar o talento do capitão em uma conquista coletiva.
O último tango de Messi carrega mais do que gols e taças. Carrega a história de um jovem que começou expulso, de um capitão que pensou em desistir e de um campeão que fez uma nação voltar às ruas. Quando o apito encerrar sua passagem pela seleção, ficará a lembrança de uma camisa 10 que pesou nos ombros — e que ele levou até o topo do mundo.
Odirlei Nigra é especialista em Tecnologia e E-commerce e diretor da Goformance





