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Eleições paralisam o mercado?

A incerteza eleitoral pode adiar investimentos e contratações. Mas ficar parado também tem um custo para as empresas.

Em anos eleitorais, uma frase se torna comum entre empresários e consumidores: “É melhor esperar a eleição passar”.

Investimentos são adiados, contratações reavaliadas e compras importantes ficam para depois. Mas será que as eleições federais e estaduais realmente travam o mercado?

A eleição, por si só, não paralisa a economia. O que pode provocar uma desaceleração é a incerteza sobre os rumos do país: juros, impostos, crédito, investimentos públicos e possíveis mudanças nas regras econômicas.

E esse efeito não é apenas uma impressão.

Em agosto de 2026, o Indicador de Incerteza da Economia, medido pela Fundação Getulio Vargas, subiu 2,3 pontos e chegou a 111,7. A FGV relacionou parte desse movimento à proximidade das eleições e ao debate sobre contas públicas e propostas econômicas dos candidatos. Em setembro, o índice recuou ligeiramente, para 110,8 pontos, mas permaneceu elevado na reta final da campanha. Os dados são da FGV IBRE.

Uma pesquisa publicada no Journal of Finance, baseada em empresas de diversos países, encontrou uma redução média de 4,8% nos investimentos corporativos no período anterior às eleições nacionais. O estudo também identificou aumento temporário do dinheiro mantido em caixa, indicando que empresas não necessariamente cancelam seus investimentos — muitas preferem esperar a incerteza diminuir. Conheça o estudo.

Como isso chega à Baixa Mogiana?

Na prática, uma indústria pode adiar a compra de equipamentos. Um comerciante pode diminuir seus estoques. Empresas podem suspender contratações, enquanto famílias postergam reformas, financiamentos e compras de maior valor.

Quando muitas pessoas tomam essa decisão ao mesmo tempo, o dinheiro circula menos e o mercado perde velocidade.

Mas existe uma diferença entre cautela e paralisia.

Nenhum empresário controla o resultado das urnas, mas pode controlar seu fluxo de caixa, revisar custos, preservar capital de giro e trabalhar com diferentes cenários. Também pode fortalecer relacionamentos e evitar desaparecer do mercado justamente quando os clientes estão mais inseguros.

Algumas empresas atravessam esses períodos melhor porque construíram confiança, consistência e credibilidade. Eu chamo essa capacidade de Gravidade de Valor: a força que atrai clientes, talentos, parceiros e oportunidades sem depender o tempo todo de descontos, insistência ou publicidade.

Essa gravidade não elimina os efeitos da incerteza, mas deixa o negócio menos vulnerável. Ela cresce quando a empresa cumpre o que promete, mantém a qualidade e continua próxima de seus clientes.

Em ano de eleição, planejamento vale mais do que previsão — e confiança vale mais do que pressão.

A pergunta, portanto, não é apenas quem vencerá as eleições, mas se sua empresa construiu valor suficiente para continuar sendo escolhida, qualquer que seja o resultado.

Fábio Gouveia é empresário, publicitário e consultor de marketing

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